Crítica Cinematógrafica Achan - O Cavaleiro das Trevas e o Cinema A.K.A. Como se livrar da porra da bomba

25/10/2010 09:48

Muitas das referências que fazemos na nemli.com.br denotam o carinho especial pela morcegagem e por todos os ratinhos alados que fazem parte dela. E como não poderia deixar de ser, fazemos agora uma homenagem à instituição na forma de uma crítica de filme ao maior representante da morcegante raça.  Também conhecido como o Cruzado de Capa, o Homem-Morcego, o Cavaleiro das Trevas, o Maior Detetive do Mundo, o bicho com a voz do Cid Moreira, primeiro e único:

Batman.

 

Eita porra..

 

Retrospectiva do Último Episódio

 

A maior parte das pessoas da minha idade conheceram o Homem-Morcego na tela grande do exato mesmo modo que eu: com os filmes de Tim Burton. Assustando inimigos e descendo a porrada em uma cidade sombria e repleta de gárgulas, o baixinho e meio careca Michael Keaton honrou a primeira safra de filmes do morcegão. Com uma interpretação séria e musculos de borracha (que resaltavam o unico defeito do ator representar o Batman, que é o de não PARECER o Batman), Keaton fez o papel do herói em O Batman (1989, ao lado de Jack Nicholson, segundo ele próprio, a maior reencarnação já feita do vilão Coringa) e na continuação Batman, o Retorno (1992, com Michelle Pfeiffer no colant embalada a vácuo da Mulher-Gato e Danny DeVito como o gordinho albino Pinguim).

Ambos os filmes se baseavam pesadamente nas HQs dos anos 80, e se não foram o maior veículo desenvolventista de personagens já feito na história do cinema, ao menos convenciam como verdadeiras aventuras do herói dos quadrinhos espremidas em filmes de duas horas cada.

 

Batman de Tim Burton: Nanico, gótico, mas dando conta do recado

 

Do mesmo modo, os fãs do Batman começaram a ter vergonha de seu super-herói pelo mesmo motivo que eu: os filmes de Joel Schumacher. Como ninguém podia prever na época, a mudança de direção dos filmes acarretava também uma mudança de... estética. A Gotham City de Schumacher não era sombria e ameaçadora, mas sim um desfile de escola de samba dos mais animados. Juro, desafio qualquer um que leia esse artigo a encontrar uma cena noturna que seja nesses filmes sem um pouco que seja de neon berrando na sua cara.

Os filmes de Schumacher ressaltam a parceria de Batman (o oxigenado Val Kilmer no primeiro, seguido por George Clooney, mais canastrão que Roriz comprando bezerra no Senado) com o menino prodigio Robin (Chris O'Donnell), ambos vestindo armaduras de borracha e gesso equipadas com bat-mamilos. Dear God, why?!

Os dois desastres cinematograficos, Batman Eternamente (1995, com o engraçadíssimo Tommy Lee Jones como Duas Caras e Jim Carrey como Ace Ventura vestido de verde) e Batman & Robin (1997, com uma inacreditavelmente embarangada Uma Thurman de Hera Venenosa e Arnold Schwarzenegger numa fusão de Mr. Freeze com PT, impossibilitado de dizer uma única fala sem um trocadilho sobre gelo no meio) baniram o Homem-Morcego do cinema por oito anos e racharam minha cara de vergonha.

 

Batman de Joel Schumacher: mais gay do que sabonete líquido e cerveja belga

 

E eis que somos redimidos pelo salvador! Não, não o Batman, mas sim o novo diretor dele, Christopher Nolan. Acostumado a comandar verdadeiros filmaços (tais como Insônia, O Grande Truque e o favorito da galera, A Origem), Nolan tirou o morcegão de dentro do buraco onde ele havia sido enterrado e colocou em destaque não só como tendo os mais bem sucedidos filmes baseados em HQs, mas sim os mais bem sucedidos filmes de todos os tempos.

Nolan recontou a história do Batman desde o começo, colocando-o numa Gotham realisticamente corrompida não por vilões de roupas estravagantes, mas por policias vendidos e mafiosos sem a menor consideração com o bem estar alheio. Para isso, o diretor empregou seus atores de confiança Christian Bale (finalmente um Batman que parece um Batman) e Michael Caine (em uma encarnação do mordomo Alfred que faz mais do que servir biscoitinhos), que junto a artistas do calibre de Morgan Freeman e Gary Oldman, tornam o filme um entertenimento de qualidade independentemente dele ser um filme do Batman.

Foram dois filmes até agora com Nolan, Batman Begins (com Cillian Murphy, outra figurinha carimbada e competente do diretor, como Espantalho e Liam Neeson de professor e futuro algoz Ra's Al Ghul) e o invencível Cavaleiro das Trevas (com Aaron Eckhart que coloca o Duas Caras de Lee Jones no chinelo e Heath Ledger, uma das coisas mais fodas que eu já vi no cinema. Como Coringa ou não). O terceiro filme da safra está saindo do forno em 2012, e do jeito que as coisas continuam indo, vosso escriba está particularmente ansioso com a próxima aventura do morcegante no cinema.

 

Batman de Christopher Nolan: já não era sem tempo!

 

Mas e quanto ao VERDADEIRO Batman?

 

O que quase ninguém sabe, e incrivelmente nenhum de nós que acessa essa página tem idade pra saber (incrivel, né?) é que as aventuras do Homem-Morcego no cinema começaram muitos anos antes de Burton, Schumacher e Nolan. Andando pelas ruas de Toquio, eis que me deparo com o inusitado DVD trazendo a primeira aparição de Batman na tela grande. Dirigido por Leslie Martinson (quem?), a aventura inicial do Cruzador de Capa foi conhecida simplesmente como: Batman (1966, e com os efeitos especiais que corroboram com o fato).

 

Bat-Repelente de Tubarões: Não saia da bat-caverna sem ele

 

Contando com os mais diversos tipos de bugigangas em seu bat-cinto de utilidades, Batman (Adam West, trajando o uniforme do herói com o físico e a desenvoltura de um achan) e Robin (Burt Ward, com uma sunga verde que só podia ser pegadinha da produção) encaravam os mais diversos perigos para salvar os diplomatas de todos os países ONU, transformados em pó por um super-desidratador instantâneo roubado de dentro de um iate nuclear por perigosos bandidos.

E que bandidos! Jamais na história da tela grande Batman voltou a enfrentar tantos vilões ao mesmo tempo: uniram suas forças contra o detetive o malvado Coringa (Cesar Romero, de bigode. Sério), o engenhoso Charada (Frank Gorshin, que roubou seu uniforme de um boneco de massa dos Power Rangers), o astucioso Pinguim (Burgess Meredith, o treinador de boxe de Rocky Balboa) e a bela Mulher Gato (Lee Meriwether, que se não é a Mulher Gato mais gostosa já feita, ao menos é a mais bonita). Os confrontos entre os quatro bandidos e o herói mascarado jamais serão esquecidos por aqueles que puderam presencia-los.

 

Oh. My. Fuckin'. God.

 

Uma menção honrosa pode ser feita para a cena mais cult dessa pérola do cinema: preso em um armazem no cais de Gotham City pelos por seus vilaniacos algozes, Batman se liberta usando uma de suas bat-tranqueiras e sai do barraco com a ultima das armadilhas dos bandidos na mão, uma bomba acesa do Bomberman. O herói precisa jogar a bomba na água para apaga-la e impedi-la de explodir toda a cidade. Sai correndo pelo cais procurando um lugar pra jogar a bomba, mas é repetidamente impedido por: freiras passeando calmamente, velhos lendo jornal, jovens fazendo cooper, uma mãe e seu nenem em um carrinho, um casal se pegando em um barquinho na água, uma fanfarra militar e uma familia de patos nadando perto do cais. Desperado, Batman olha para os lados com o explosivo em sua cabeça e se sai com essa: "Tem dias que você simplesmente não consegue se livrar de uma bomba..."

Palmas para o Batman.

 

Algumas vezes não dá mesmo.

 

By Pio, tentando se livrar de algumas bombas faz tempo

e realmente não conseguindo...

 

Tópico: Review Gamístico/Crítica Cinematógrafica Achan - Batman: Os Bravos e os Destemidos, A.K.A. Como se livrar da porra da bomba

identidade secreta

Batman | 26/10/2010

melhor artigo do nem li ate agora

Novo comentário