Crítica Cinematográfica Achan: O Anticristo XXX Bestial 18+ Anões e Pôneis II - Relinchando de Amor

03/08/2010 07:41

Os achans sagazes que acompanham as novidades do cinema já devem ter esbarrado com uma amostra de arte conceitual do novo filme do diretor Diretor Lars Von Trier, facilmente confundida com um wallpaper do Windows 95.

Desktop de Lars von Trier, momentos antes de uma partida de Duke Nukem 3D



Ler sobre o empenho de Lars em produzir um drama-épico-catásfrofe com os trocados da caixinha de natal da padaria - 7 milhões de dólares, aproximadamente um bimestre de agitos Luxo e Riqueza - resgatou minhas memórias recalcadas de seu último filme, O Anticristo.

O Anticristo é lindo, grosseiro, pornográfico, grotesco, perturbador e edílico. Lars Von Trier teria realizado um suspense incrível, não fosse tanto sua birra adolescente de depredar seu próprio bairro com desenhos de bilaus, quanto sua escolha presunçosa de poluir a trama com metáforas herméticas.

Von Trier acerta a mão em certos aspectos de seu roteiro, como no conflito profissional do personagem de Willen Dafoe, na angústia materna pela culpa da morte do filho e a posterior reviravolta mal-aproveitada, perdida entre raposas falantes e a obsessão genital de Lars.

Raposa falante: 10x mais legal, 1000x menos pertubador.

 

A opção de Von Trier pelo explícito, herdada da obsessão pela estética verossímil do movimento Dogma 95, ressurge como um obstáculo ao ritmo da narração, desviando a atenção do espectador e restringindo sua aceitação pelo público. O sexo de Lars assume formas de manifesto - tal qual o urinol de Marcel Duchamp - ou de vazão de distúrbios psicológicos - como uma criança traumatizada armada de um giz-de-cera. O explícito como recurso narrativo funciona melhor para Nagisa Oshima: em O império dos Sentidos, o diretor japonês integra o coito à trama sem meias-palavras, porém de forma homogênea, enquanto Lars insiste em enfiar o cubo no buraco redondo.

Outros filmes já se viram perdidos em meio a polêmicas por seu conteúdo sexual. Irreversível, de Gaspar Noé, é um filme fantástico, todo criado com um punhado de plano-sequências e uma diversidade de emoções e texturas, reduzido a uma cena de estupro de alguns minutos e copiosamente repudiado como obra de arte por conta de uma animosidade injusta. Notável também foi a veemência de Chlöe Sevigny ao tentar abortar a carreira em uma cena de felação no filme Brown Bunny.

As Aventuras do Coelhinho Marrom, com as vozes de Chloe Sevigny e Vincent Gallo


No fim das contas, Lars Von Trier resolve abandonar um possível desfecho coerente, * spoiler alert * sugerido pela revelação da variante psicopata de depressão pós-parto da personagem de Charlotte Gainsbourg, favorecendo um simbolismo vaidoso e descambando para o chilique pseudo-cult dos curtas de estudantes de cinema. Lamento que Lars não seja mais bem-resolvido emocionalmente, já que é claro que o problema de O Anticristo é que o diretor não consegue exorcizar os seus próprios demônios.

 

By Hugão, que agora procura cópias dubladas do Vaginas Dentadas

para ver o que mais há de bestial nos cinemas.

 

Tópico: Achan Critica: O Anticristo XXX Bestial 18+ Anões e Pôneis II - Relinchando de Amor

Nenhum comentário foi encontrado.

Novo comentário