Matembe Vídeo - Resumão Pokébola

13/01/2011 09:11

 

Nos últimos 4 meses, isolado do mundo globalizado contemporâneo por milhões de hectares de mata selvagem, cercado por uma sensualidade rústica e desprovida de modos, pude entreter-me com variadas obras da cinematografia imperialista ocidental do grande satã norte-americano. Com o oferecimento da Matembe Vídeo, uma simpática videolocadora no coração da África, falo aqui a primeira coisa que me deu na telha sobre os filmes que assisiti. Os comentários são ricos em spoilers e talvez façam sentido pra quem já viu os filmes, talvez não. Será?
Obs.: Os títulos não têm as traduções em português. É nóis no www.google.com.br.

 

Alien

 

Vencedor do Best Calcinha Oscar Awards® de 1988:

 

 

Aliens

 

Quer saber? Eu gosto de James Cameron. Eu assisto as 7 horas de Titanic numa sentada sem problema algum. E daí que é idiota? Idiota é você. Depois de 4 meses longe da civilização eu não escondo mais meus sentimentos.

 

American Beauty

 

 

Já ouvi mais de uma vez que Beleza Americana é uma cópia descarada de um filme fora do circuito americano, Que nem Os Infiltrados, mas menos honesto. Ou que as reviravoltas dos personagens menores são muito óbvias, como a piriguetchën que é virgem ou o coronel machão que curte uma fanta uva. Não importa. Esse filme é altamente xununu, e em seu significado primordial https://www.urbandictionary.com/define.php? term=xununu. Ele flui com a graça de um cisne de cristal em uma apresentação de balé no mundo mágico dos Queridos Pôneis.

 

An American Werewolf in London

 

Nem dá pra chamar de terror. É uma comédia com tripas e peitinhos, em uma época em que peitinhos não eram tão escassos nas grandes mídias. Você vai ver um saci fazendo cover do Fred Astaire antes de ver um peitinho nos filmes de hoje.

 

Black Dynamite

 

Ok, pagando minha língua. Mas peitinhos em filmes independentes não contam. De vez em quando perde o ritmo, mas não consigo não gostar de um tributo à Blaxploitation e kung-fu feito com tanta paixão. E peitinhos.
Prometo que não falo mais de peitinhos. Sinto que estou perdendo o meu público feminino.

 

Book of Blood

 

Um filme com uma modesta quantidade de PEITCHEEENHOS gela, mas é verdade. Ruim demais. Me lembro de ter lido alguns volumes dos Livros de Sangue, de Clive Barker, quando era mais novo. Gostei muito. Violento e depravado, mas dá nada não.

 

Bronson

 

O filme que chamou atenção pra Tom Hardy, aquele ator que faz um carinha em Inception que é um tipo de Braddock com sotaque inglês. Fiquei meio receoso com o estilão, mas da metade pra frente eu entrei na onda e curti a comédia desconcertante sobre o psicopata mais inóquo da história do Reino Unido.

 

Candyman

 

Apesar da comédia involuntária de alguns modismos que envelheceram rápido demais, é o tipo de filme que eu adorava achar nas locadoras. Ou assistir na Bandeirantes no final da noite, com uma dublagem horrível, interrompido por umas propagandas da Sexta Sexy e da Sessão Kickboxer. Ah, Bandeirantes, como eu amava o lixo que forrava a sua programação.

 

Chinatown

 

Assisti um pouquinho antes de Gone, Baby Gone, e há semelhanças temáticas. Incrível, mas o final é frustrante. Tão perto de fugir e Bang! EW VÉI! Seguido da última fala que me consolou muito pouco. "Deixa pra lá, é Chinatown".
Notável também pela expressão de horror mais marcante da história do cinema.

 

Dr. Strangelove

 

Peter Sellers marcou discretamente minha infância com os filmes da Pantera-cor-de-Rosa e Um convidado Trapalhão (PQP, NADA A VER ESSE TÍTULO). A voz do cientista, anasalada e minimamente articulada através de um sorriso perverso, é impagável.

 

From Paris with Love

 

Durante as quase 20 horas somadas de vôo para o Congo eu pulei esse filme umas 5 vezes, achando que seria um romance restrito para dietas diabéticas. NADA A VER. John Travolta dando palas de atuação e fazendo par com aquele modelo careteiro dos The Tudors, explodindo carros e cabeças com tiros e foguetes. Talvez exista uma trama sobre um plano pra matar uma tia em um agito diplomático. É horrível, mas eu realmente me diverti, e eu não me sinto culpado. Dane-se você e seus olhos julgadores.

 

Family Guy - It's a trap

 

Não é um filme. E você não sabe nada da vida. Melhor que o segundo, mas todos os três me desapontaram.

 

Gone Baby Gone

 

Ben Affleck é um mistério. Um dos atores mais toscos de sua geração de repente faz um filme bom demais pra ser verdade, ainda mais por ser seu primeiro como diretor. As performances que ele mesmo nunca vai igualar; o cuidado em omitir a violência gráfica, guardando tudo para
o momento mais tenso do filme, em que o corpo apodrecido do pequeno Juarez ou sei lá como chama é visto quase que contra a vontade; no canto da dela, emulando a visão esmaecida do personagem de Casey Affleck; a reviravolta que é armada sem pressa. Como pode uma coisa
dessas? O irmão sem-graça com desvio de septo e voz chorosa se encontrou diante das câmeras, o bonitão com o queixo de super-homem se revela atrás das câmeras? Que mundo é esse, meldels?

Talvez role o sentimento que Casey Affleck deveria ter sofrido um conflito mais intenso, a ser resolvido em sua decisão no final do filme. Mas como diria o sábio Kitê Lua, "Conflito de c* é % $#$".

 

It's complicated


Rolou umas risadas, de leve. Steve Martin virou um picolé de xuxu e seu personagem é tão sem o calor da vida quanto a região nebulosa abaixo da cintura do Mr. Burns.

 

Last Tango in Paris

 

Jamais Marlon Brando esteve tão pouco sexy. Que ritmo estranho, que trilha sonora torta, aquele namorado diretor de cinema louco de pedra, uns diálogos sem-pé-nem-cabeça, não entendo esse filme. Gosto da cena que termina no jardim, e uma ou outra no apartamento, mas me diga, porque manteiga? Não tinha outra coisa, óleo de bebê Johnson, graxa, condicionador para cabelos secos? Tinha que ser logo manteiga?

 

Leaving Las Vegas

 

Tinha as maiores expectativas do mundo. Nic Cage, uma das divindades do olimpo achan, em sua performance ganhadora do oscar, uau. Mas nem me comovi. Edição tosca, câmeras lentas gratuitas, umas coisas de videoclipe do Whitesnake. Achei Elizabeth Shue e seu corpo de ginasta mais bem-situados que Cage. Me chamou a atenção que sua voz era bem diferente no início da carreira. Que nem Al Pacino, que depois de Serpico deve ter trocado uma idéia com uma fonoaudióloga. No caso de Cage, ele hoje soa mais caricato.

Alguns diálogos são até legais, mas tem coisa sobrando. O personagem de Julian Sands, com um sotaque mais volátil que o goró de Nic Cage, não tem razão de ser. Acrescentou em nada, dava pra meter a tesoura nas duas ou três cenas dele e o filme ia ficar do mesmo jeito. Eu não preciso de muito pra entender que a vida de uma prostituta em Las Vegas é vazia e triste, facadas na bunda e um pimp do mal ficaram redundantes. E fica bem explícito nos primeiros quinze minutos que Nic Cage é pinguço e auto-destrutivo, quantas cenas dele virando garrafas com bebida de mentirinha eu preciso de ver pra entender isso? Eu não consegui sentir empatia por ele, e é porque o personagem é definido pela marvada. É como se Elizabeth Shue estivesse comovida com a situação da garrafa antropomorfizada daquele filme, Booze Boogie, que a pixar engavetou.

Pronto, agora me odeiem pra sempre.

 

Macgruber

 

Pra um filme esticado de umas esquetes de 30 segundos, ficou melhor do que eu esperava. Mas não o suficiente. E jamais superará o encontro de Macgruber e Shia Labeouf, seu filho gay.

 

Moon

 

Vou falar que fiquei com medinho até depois da metade. "Essa merda de filme vai cagar tudo e me falar que é tudo um sonho/alucinação, esse clone vai sacanear o outro. Porque, senhor? Poque sempre isso?" Que nada. Sam Rockwell não recebe a atenção que merece. A empatia sincera entre os clones e a revelação familiar me deixaram com uma parada no olho.

 

North by Northwest


Eu sei que a perseguição de carro ficou parencendo um episódio de South Park, mas não é por isso que você vê um filme desses. Ainda que Cary Grant já esteja meio passado, e que obivamente não dava mais conta de partir corações de espiãs, escalar paredes e desviar de aviões, me fez um pouco mais feliz.

 

Pineapple Express


Maconheiros xingando e se batendo insanamente durante uma hora e meia. Bom demais.

 

Return of the Living Dead Part 2


Putz. Que toba. Filme de zumbi pra mim agora é Planet Terror.


Shrek 4


Shrek é como uma série de TV de humor-família mentindo pra si mesma que é ousada e picante. Este seria um episódio peba que ficou longo demais.

 

Splice

 

Um monte de mongol na internet fica falando que esse filme é o último passatempo do pacote. Se Adrien Brody não tivesse feito Viagem à Darjeeling, suas escolhas recentes de filmes convenceriam a Academia a dar crtl+z até apagar aquele beijo cenográfico na Hale Berry.

 

Step Brothers/The Other Guys


Will Ferrel fez filmes demais, mas esses dois me deixaram com gominhos no abdômen.


Sunset Boulevard


Nunca fiquei tão puto com uma morte de protagonista. Eu sei que ele já tá empacotou quando o filme começa, mas eu queria muito que ele e aquela menina adorável terminassem aquele roteiro e o final fosse lindo. Tem umas coisas que me incomodaram de leviz: Gloria Swanson, coerentemente caricarta durante todo o filme, desembesta e fica parecendo a noiva do frankenstein, quase desarranjando as cenas finais, e Nancy Olson, apesar de ser afiada que nem uma gilete de obsidiana sempre que abre a boca, simplesmente congela quando o personagem de William Holdem parte pro ataque. Nenhuma indicação de hesitação, entrega ou conflito emocional. Ainda que ela fosse tímida de doer alguma coisa seria sugerida, principalmente em sua postura. Mas isso é provavelmente só eu sendo babaca.

 

Tales from the Darkside


Três historinhas de terror expremidas em um longa meio obscuro. Resolvi assistir porque a última história me deixou uma boa impressão quando eu tinha, sei lá, 12 anos. As duas primeiras são realmente fracas, mas a última valeu assistir. É de uma certa beleza perturbadora. Capirotos também amam, ficadica.

 

The Thing

 

John Carpenter fez um dos melhores filmes de todos os tempos: Aventuireiros do Bairro Proibido. Está em algum lugar entre Cidadão Kane e o Poderoso Chefão em todas essas listas, pode ver. The Thing veio um pouco antes e é um slasher-psicossocial-thriller de isolamento e paranóia, e apesar de tudo ser látex e animatrônicos, até que se segurou bem visualmente. Curti de forma comedida e elegante.


The Usual Suspects


Assisti logo depois de Beleza Americana. Kevin Spacey é um cara muito doido, e é tão divertido ver aquele enorme caô se armando, pra depois despencar tudo em cima de Chazz Palminteri. Tudo é arranjado que nem no Sexto Sentido, pra depois explicar a pegadinha com uma ou duas linhas de diálogo e cenas que você já viu antes, MAS AGORA VOCÊ SABE A VERDADE OMG.
E sobre Sexto Sentido, a carreira destrambelhada de Shyamalan vale um artigo. O cara é uma piada ambulante.

 

Up


Aqueles primeiros minutos embaçaram os meus óculos. É uma graça, como tudo da Pixar, ainda que eu sinta que o desvio com toda a história do explorador serial killer tenha enfraquecido a premissa. Em algum momento um certo sentimentalismo nipônico foi esquecido pra engordar a aventura. Talvez Up tenha sido concebido como uma mistura de Madadayo com A Viagem de Chihiro. Ou talvez eu devesse calar boca, porrugão.
 

 

 

By Hugão, vendo seu artigo sendo publicado uns cinco meses

depois de ser escrito. Mals, meu velho.

 

Tópico: Matembe Vídeo - Resumão Pokébola

Correção.

Professor Pasquale Cipro Neto | 01/03/2011

Sempre se lembrando de que o verbo "assistir", quando empregado com o mesmo significado de "ver", é transitivo indireto e, portanto, requer - exige, impõe - preposição.

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