Tesouros Nerd: Cavaleiros do Futuro

10/08/2010 09:16

 

Durante a década de 90 fui um menino gordinho, tosco, manezão e peganingas. Passava meus dias tentando derrotar Shao Khan no Ultimate Mortal Kombat 3, lendo histórias em quadrinhos horrendas e devorando pacote atrás de pacote do biscoito maizena da Tostines.

My precious 

 

Durante um fim-de-semana despretencioso que passei com o meu pai, visitamos uma banca de jornal em uma manhã de domingo. Sempre vasculhava revistas de passatempos, doces nojentos e, veladamente, corpos desnudos nas prateleiras superiores, muito antes da internet jogar no pagode toda a produção pornográfica da história humana. Desta vez me deparei com uns daqueles livros de bolso que prometiam me dar o poder de escolher o rumo da história. Me lembro de ler coisas parecidas na escola e ficar extremamente frustrado:


Juquinha chegou ao fim do corredor e encontrou duas portas, a esquerda e a direita. Qual porta Juquinha abre?
a) Juquinha abre a porta da direita, na página 43? Ou
b) Juqui nha abre a porta da esquerda, na página 68?


Página 43: Juquinha morre, comece novamente.

 

Sempre se metendo em encreca

 

Um dos livros parecia promissor, já que a capa tinha um robô, e tudo que tem robô fica 5000 vezes mais incrível.

 

 

Cavaleiros do Futuro conta a história de um faxineiro do exército americano, René Montgomery, congelado acidentalmente durante o início da 3ª guerra mundial, despertando séculos depois em uma terra pós-apocalíptica. Logo após acordar, René encontra uma armadura inteligente com o Nome de Albert ( na verdade uma sigla exageradamente elaborada que eu vim a esquecer ) descrita durante o livro como “uma arma extremamente avançada, dotada de uma inteligência artificial caracterizada por um senso de humor adolescente”. Eu totalmente inventei essa citação.

As ramificações das histórias do livro incluíam encontros com uma gangue de bibliotecários motoqueiros, caminhoneiras brutas como um mad max de seios e florestas de plantas mutantes carnívoras. Cavaleiros do Futuro sofria moderadamente do mal da morte súbita, tal qual o livro As aventuras domésticas de Juquinha. De forma serelepe, eu marcava com um dos dedos a página em que havia tomado a decisão fatal e, tal qual uma divindade criadora digitando crtl+z em seu teclado de mármore, escolhia a outra alternativa e seguia adiante na história em busca de um final satisfatório.

 

 

Por mais de uma vez, durante minhas releituras, encontrei uma jovem nômade, “escondendo sua beleza por trás de cicatrizes de guerra”, e juntos viajamos até uma cidade fortificada. Seguindo o exemplo de Han Solo, desistimos do desapego dissimulado e acabamos por aderir à causa dos locais, defendendo a comunidade de uma invasão de aranhas mecânicas gigantes. O trecho citado nesse parágrafo não existe.

Cavaleiros do Futuro foi o livro favorito da minha infância. Frustrei-me por anos procurando outros livros do autor, Nick Pollotta. Sonhava também com uma adaptação cinematográfica estrelando eu, empreitada igualmente mal-sucedida. Esse livro alimentou minha imaginação por muito tempo, e a jornada de René, Albert e a menina das cicatrizes serão eternamente uma pequena parte do que faz o Hugão hoje.

 

Obrigado, Nick!

 

By Hugão, arrancando lágrimas do atualizador e de todos que dispuseram

dessa aventura em suas mãos

 

Tópico: Tesouros Nerd - Cavaleiro do Futuro

Ouyeah!

Nick Pollotta | 10/08/2010

Fuck me man, that's da shit! First time someone is not too ashamed to say he read my book! Hellyeah!!!!!

Re:Ouyeah!

achan esperançoso | 10/08/2010

fiquei com vergonha agora. pode esquecer...

livrinhos

achan esperançoso | 10/08/2010

Choreiocenos com o artigo, Hugão, mandou muito bem! Eu colecionava aos quilos esses livros quando era criança, mas esse em particular eu não vi. Ainda tem o livrinho pra emprestar? *u*

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