Top Five - Programas Infantis que Marcaram a Infância

03/08/2010 16:48

Nem só de soltar pipa, jogar bola e chutar a bunda da Mizrabel vivia uma criança na década de 90. Muitas vezes éramos deixados de lado pelo irmão mais velho, os amigos não estavam e os primos só nos visitariam no fim de semana. Estávamos sendo, portanto, obrigados a recorrer à forma de entertenimento mais antiga de uma criança, mais velha do que andar pra frente: A TV.

Como no caso dos videogames, sua lista de preferidos é tão boa quanto a minha (não, NÃO é ultraje esquecer o PacMan >.<). Mas decidi não falar de desenhos animados em particular - primeiramente, na melhor das hipóteses, precisaria de um Top Fifty pra a construir a lista mais seca delas. E em segundo lugar, existiam programas que teoricamente serviam para passar desenhos, mais a diversão proporcionada ia muito além deles. Tais programas são lembrados com carinho até hoje e agora fazem parte desse Top Five:

 

Esquetes do Chesperito

"Eu não sou nenhuma velha, ouviu? Fique sabendo que eu acabo de passar dos 45!"
"Mas do segundo tempo."

O mais básico dos programas de um garoto dos anos 90 (de pessoas que não viram, só conheço a Pati, e continuo achando heresia...), esse também é o único da lista em exibição até hoje (se bobear, até seus netos estarão vendo ele em 2044...) Trazido ao Brasil como uma aposta de alto-risco de Senor Abravanel e Marcelo Gastaldi, os textos do mexicano Roberto Gomes Bolaños conquistaram o coração do povo brasileiro com um humor simples e inocente, mas de qualidade ainda não alcançada pelos nossos próprios programas de humor.

Quem não se lembra do Dr. Chapatin despachando um paciente atrás do outro, desesperado para ir ao seu jogo de futebol? Dos contrabandistas que passavam sua mercadoria com o código da Flor Silvestre que Perfuma os Campos? Da interpretação do próprio Bolaños e seu amigo Edgar Vivar como O Gordo e O Magro, que valeu uma homenagem em Nova York?

Mas as duas maiores criações de Bolaños são também as mais lembradas: Chapolin Colarado, o Garfanhoto Escarlate, era praticamente o achan do mundo dos super-heróis - tonto, nanico, quebrado, feio, covarde, mulherengo, fraco, ect, ect, ect... Mas armado com sua Marreta Biônica e suas Anteninhas de Vinil, ele provou que até mesmo alguém como ele era capaz de ajudar aqueles que lhe pediam socorro. E Chaves, o menino do Barril, cuja inocencia e destrambelhagem causava tantos problemas à vila onde morava. Junto aos inesquecíveis Kiko, Sr. Madruga, Dona Florinda, Prof. Girafales, Sr. Barriga, Chiquinha e Bruxa do Setenta e... digo, digo, e Dona Clotilde, Chaves é considerado cult nos dias de hoje, com frases citadas de cabeça por aqueles que acompanhavam a série e divertindo a todos que assistam (não importando ser a septuagésima reprise do episódio do filme do Pelé...)

 

TV CRUJ

"Cruj, Cruj, Cruj, Tchau!"

Disney Club foi um programa da segunda metade dos anos 90, exibido em inumeros países como forma de mostrar os mais recentes trabalhos da Disney. No Brasil, ele veio na forma do inesquecível Comitê Revolucionário Ultra-Jovem (A.K.A. CRUJ), dirigindo por Cao Hamburger (o mesmo criador da série Ra-Tim-Bum na TV Nacional). Com um texto descolado e personagens carismáticos, eu particularmente acompanhava o programa tanto pelos apresentadores quanto pelos desenhos (e pensar que hoje em dia temos Yudi e Maísa... >.<)

CRUJ contava a estória dos jovens Juca e Guelé, irmãos que criaram uma TV pirata no sotão de casa a fim de transmitir seus valores e representar os ultra-jovens (crianças) de todo o país. Para não serem descobertos pelos Agentes da TV que rastreavam os sinais piratas de toda a parte, os dois irmãos criaram as alcunhas de Caju e Chiclé, além de usar mascaras durante as transmissões para preservarem suas identidades. A eles se uniriam em breve Macarrão (Macaco), Malu (Maluca), Ana Paula (Pipoca) e Frederico (Rico), todos engajados na luta pelos direitos dos ultra-jovens contra a tirania e as injustiças dos ultra-velhos. 

 "Dá o play, Macaco!"

Desenhos que passavam durante a TV CRUJ incluiam a Turma do Pateta, Timão e Pumba, 101 Dalmatas, Bonkers, Marsupilami, TV Quack, Super Patos, Doug, Hora do Recreio e Ana Pimentinha.

 

Super Sentais e Metal Heroes

"Pessoal, Refração Flash!"

"OK!!!! Refraçããão Flash!! Visor Combate!!!" 

Não há como negar que a rede Manchete era o paraíso das crianças no final dos anos 80 e inicio dos anos 90. Na forma de Super Sentais (Esquadrões de cinco lutadores) ou Metal Heroes (Lutadores individuais), as séries de ação japonesas eram despejadas aos quilos aqui no Brasil para alegria da garotada que não se importava com a baixa qualidade das produções.

E bota baixa qualidade nisso. Pegue videos no YouTube caso você não se lembre: das roupinhas de lycra que soltavam faiscas sempre que era atingidas, dos monstros voadores cuja cordinhas de sustentação podiam ser vistas, batalhas de robôs gigantes sobre maquetes de R$1,99 com prédios de isopor vagabundo. Una isso às interpretaçõe sofriveis dos atores japoneses (caso já tenha saído de suas memórias, é a mesma turma que concebe propagandas com mulheres parindo cavalos...), e temos shows que hoje em dia causam mais risadas do que emoção em si.

 "Espadium Laser! Cosmic Laser!"

Mas como causavam emoção para uma criança. *u* Para todos os que queriam ser um super-herói na época, impossivel não se emocionar com as seguintes cenas: Jiban, o policial de aço, sendo morto por um inseto virus enquanto seu corpo é massacrado pelos inimigos; O campeão da justiça Jaspion ligando os fios pra consertar seu robô de combate Daileon, avariado em sua ultima batalha; Os integrantes do comando estelar, Flashman, banidos da Terra no último episódio por seus organismos rejeitarem a atmosfera local. Os defensores da luz, Maskman, encurralados ao ter sua Bomba Projétil destruida pelo Cavaleiro Ladrão Kiroz; Black Kamen Rider tendo sua fiel moto, a Battle Hopper dominada por Shadow Moon, irmão e arquinimigo do herói. E a maior de todas: a batalha do lider do esquadrão relâmpago, Change Dragon contra o maligno Buba, dublado pelo Sr. Barriga. É muita emoção pra uma criança só! ^o^

 

TV Colosso

"Atencion que tá na horrra de matarr a fomê, tá na mesa pessoaaaaal!!! WOOOOO!!!

Sinceridade: nunca curti a Xuxa. Tive os disquinhos, ouvia crianças cantando as músicas e assitia aos programas, mas em materia de divertimento, eu era muito mais a Vovó Mafalda. Nesse contexto, o Show da Xuxa foi substituido em meados da década de 90 por essa pérola televisiva: A TV Colosso, uma TV feita por cachorros! ^o^

Com um humor as vezes não tão inocente para uma criança, a TV Colosso foi lar de seres memoráveis: Priscilla, a Sheep Dog e personagem principal; o operador Borges, um bulldog que era o diretor de imagem e passava os desenhos do programa; JF, o diretor da TV Colosso e o Capachildo Capachão, assistente puxa-saco; As pulgas, que ficavam sabotando a programação dentro dos circuitos eletrônicos; Gilmar, Gilmar e Gilmar, os três cameradogs da emissora, entre inúmeros outros. 

Muitos programas eram "apresentados" pela TV Colosso, a maior parte paródias dos programas verdadeiros da TV da época: O noticiário Jornal Colossal (Jornal Nacional), a novelas Pedigree, Os Vegetais não Mentem e A Princesa Pirata (Novelas em geral), o seriado As Aventuras do Super-Cão (22-200 Cidade Aberta), as Olimpíadas de Cachorro (Esporte Espetacular), Você Escolhe (Você Decide) e os programas do cachorro contador de histórias Jaca Paladium, o Acredite Se Puder (Acredite Se Quiser) e Selvagem Mundo Animal (Mundo Animal) com os maiores absurdos da história humana (e canina).

 

 "Pela união dos seus poderes, eu sou o Capitão Planeta!"

"Vai, Planeta!"

 

A gama de desenhos que passavam na TV Colosso era inacreditável. Só para citar os que eu lembrei de cabeça: Darkwing Duck, Família Dinossauro, Capitão Planeta, He-Man, Perdido nas Estrelas, Caverna do Dragão, Ekk the Cat, As Aventuras de Sonic the Hedgehog, Smurfs, Homem-Aranha, Super Mario Show, Os Animaniacs, She-Ha, Tico e Teco e os Defensores da Lei e Taz-Mania.

 

Agente G

"Ora, mas é aqui! Ah, não, passar as férias aqui NÃO!

Eu prefiro um passe de ônibus e um ingresso pro zoológico!"

 

Esse ai quase ninguém conhece, mas não é por isso que ele deixará de ser o meu favorito entre os cinco listados: Gerson de Abreu e sua trupe de bonecos viviam, na metade dos anos 90, o Agente G e seus amigos.

O Agente G era um gordinho boa praça e bonachão que chefiava a G.E.L.O (Grupo Especial pela Lei e Ordem), trabalhando junto aos outros agentes para manter a paz na cidade. Ironicamente, a maior parte dos agentes da G.E.L.O. eram alimentos dentro... de uma geladeira: Refri, Coco, Gela Tina, Salsinha, Repolho e Leite, para citar alguns. Os outros dois agentes não-pereciveis da organização eram Bárbara, namorada do Agente G, e Mestre Iodo (obvia paródia do Mestre Yoda), guru do Agente G ("meu obeso amigo", para ele) e velho viciado em tofu.

No lado oposto da cidade (num beco xexelento, para ser mais preciso) trabalhava a C.O.I.S.A (Central Odiosa de Inimigos Safados e Abomináveis), chefiada pela irmã gêmea de Bárbara, Brígida, e composta de Gina, Nefasto, Sinistro, Soturno e do Corvo Edgar Alan Poe. O embate entre essas duas agências sempre continha uma lição de moral a ser aprendida no fim de cada episódio, apesar da premissa básica da série ser o humor, sempre garantido pelo carisma dos personagens.

"Bada bing, bada bang, bada Beakman!" 

Séries consideradas alternativas passam no programa do Agente G. Para minha sorte, eu curtia todos eles: O Mundo de Beakman, O Gato Felix, Bill Body, Zorro, Faisca e Fumaça e Beetlejuice.

 

Por Pio da Fúria e da Decepção, que já viu tanta merda no YouTube

e não encontrou um episodisinho que fosse do Agente G

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